segunda-feira, 22 de abril de 2013

GUTTED SOULS: BANDA CARIOCA APRESENTA SEU SOM COESO QUE MESCLA TÉCNICA E BRUTALIDADE


A alguns meses atrás conversando com o amigo Joab (Uncaved) pela net sobre bandas, o mesmo me apresentou a banda Gutted Souls, pesquisei na net mais materiais e notícias sobre a mesma e pude conhecer melhor sobre esta banda que executa um Death Metal técnico e brutal.
A banda tem um sua essência e postura muita técnica, conhecimento e maturidade, algo que todos notarão através desta entrevista, onde Iron e Wellington responderam, de forma objetiva, nossos questionamentos sobre a banda, o metal brasileiro, a cena underground e outras questões que nos cercam diariamente.
Confira mais uma entrevista do Over Metal Zine.
Boa Leitura!


OVER METAL (OM) - CONTE UM POUCO DA HISTÓRIA E DO SURGIMENTO DO GUTTED SOULS E ATUAL FORMAÇÃO?
IRON: A Gutted Souls surgiu a partir da banda Necropedophile, que fazia Death Metal mais tradicional, na veia de Cannibal Corpse, Sinister e coisas assim, bem anos 90.
Com o passar do tempo, fomos nos tornando músicos melhores e a vontade de escrever sobre gore e splatter acabou e foi substituída pela vontade de escrever sobre coisas que importassem.
O mais natural era que a banda mudasse de nome. Desde então, houve inúmeras mudanças de formação, até chegarmos a uma formação estável que é a que temos desde 2010:

Iron – Vocal
Leandro Xsa – Guitarras
Wellington Ferrari – Baixo
Alexandre AOCB – Bateria



OM - A GUTTED SOULS INICIOU SUAS ATIVIDADES EM 2004, QUAL ERA A PROPOSTA INICIAL E QUAL A PROPOSTA ATUAL?
IRON: A proposta inicial era fazer música extremamente complicada, com temas líricos complexos sobre ocultismo, xamanismo e psicologia humana. Hoje em dia isso foi substituído pelo desejo de fazer música memorável, sabe? Algo que você via muito nas bandas de metal antigas, mas não vê com tanta freqüência hoje em dia. Uma linha vocal que dá vontade de cantar junto, um riff que não sai da sua cabeça... essas coisas.
A inspiração da parte lírica continua a mesma, talvez mais madura pelo passar dos anos.
Fortemente inspirada pelo desejo de informar sobre as realidades de manipulação midiática e a corrupção da ciência e religião que servem aos desejos de poder da patocracia mundial.

OM - QUAIS AS INFLUÊNCIAS DA BANDA?
IRON: As influências que eu penso na hora de compor a personalidade da minha voz e linhas, são Frank Muellen do Suffocation, George Fischer, Glen Benton... esses caras clássicos, vocalistas de Death dos anos 90. As exceções são o Mike Di Salvo que cantou no Whisper Supremacy do Cryptopsy e o Matti Way, que era do Disgorge (USA).
WELLINGTON: As influências são bem variadas... Cannibal, Suffocation, Nile, bem misturando Death Metal tradicional com paradas mais modernas... é difícil responder por que a gente gosta de muita coisa...

OM - AO ESCREVER E TRABALHAR NOVAS MÚSICAS COMO SE DESENROLA ISSO NA BANDA?
IRON: Quem escreve a maior parte das músicas é o Wellington. O Leandro escreve algumas, mas o compositor principal é ele.
WELLINGTON:Eu tento fazer umas paradas diferentes, que soem técnicas mas sem muito exagero, bem misturando Cannibal Corpse com Suffocation, bem Death Metal.
A gente não gosta de fazer parada tosca não.

OM - CONTE UM POUCO MAIS DE DETALHES DA GRAVAÇÃO DO EP UNCONSCIOUS AUTOMATON (2012).
WELLINGTON:Gravamos tudo no meu home Studio, com exceção da bateria que foi gravada em um estúdio mesmo. As faixas foram mixadas e masterizadas por mim mesmo, tudo em casa!
Nós escolhemos algumas das musicas que queríamos destacar, e umas mais antigas.
A Dancing to The Sound é a mais antiga, é de 2008 se lembro direito, e foi composta pelo antigo baterista, Mauro Morg. Ela é mais diretona. A Undying Stars (2010) é mais perto dos estilo que estamos fazendo hoje, tirando que ela não tem solo o resto das paradas está tudo lá... os arranjos de bateria, os riffs, tudo do jeito que andamos fazendo. A Psychopathic Ruler é 2011, é bem retona, bem brutal. A Words of Hate, agente queria fazer uma parada mais tradicionalzona, ela é fruto de uns riffs reaproveitados de outras musicas antigas...
Escolhemos as musicas por serem expressivas, mas sem dar totalmente o ouro... ainda temos muita coisa guardada, já temos o primeiro full length todo composto e vamos começar a gravar em breve...


OM - CITE CINCO ALBUNS (DE TANTOS) QUE SÃO HISTÓRICOS PRA VOCÊS?
IRON: Pierced From Within do Suffocation, por mostrar que o Death Metal pode ser incrivelmente intrincado e progressivo sem deixar de ser bruto, ou precisar soar mais “clean” pra isso.
Altars of Madness do Morbid Angel, por ajudar a definir os básicos do estilo.
Human do Death, por mostrar que o Death Metal também pode ser intrincado e progressivo sem necessariamente ser ultra veloz e ultra pesado e mostrar que o estilo não tem limites, nem uma fórmula pronta.
Focus, do Cynic, por mostrar que Death Metal não é apenas tripas, sangue, morte e ódio. Death Metal é um sentimento, é uma maneira muito distinta de passar uma mensagem.
WELLINGTON: Po, Souls to Deny do Suffocation, os álbuns do Napalm Death, Deicide, Obituary, Cannibal Corpse, difícil dizer só cinco, rs.

OM - FALE SOBRE A CENA UNDERGROUND DO RIO DE JANEIRO E DEMAIS CIDADES VIZINHAS - COMO VOCÊS AVALIAM ESSE MOMENTO? O QUE PODE MELHORAR?
IRON: Tem muito tempo que não vou a São Paulo, mas pelo que vi e ouvi de lá, a cena lá é muito boa, bandas maravilhosas, shows...as coisas acontecem por lá. A cena do Rio é complexa, é meio difícil falar dela sem ser polêmico.
No momento estamos em um período de alta em relação a shows, variedade de bandas e qualidade de bandas. Estão surgindo nos últimos anos muitas bandas que estão conquistando renome pelo mundo afora, mas o público do Rio deixa a desejar em termos de apoio e comparecimento aos eventos. Há também certo amadorismo por parte de alguns produtores de eventos por aqui.


OM - A GUTTED SOULS JÁ TOCOU EM UM SHOW NO QUAL TAMBÉM PARTICIPOU UMA BANDA FORMADA POR CRISTÃOS.  NO RIO DE JANEIRO PARECE QUE A CENA UNDERGROUND É MAIS MALEÁVEL QUANTO A ISSO, DIFERENTE DE OUTROS ESTADOS E REGIÕES PELO BRASIL ONDE ISSO É ALGO PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL E EXISTE UMA SEPARAÇÃO E CERTA REPULSA DAS DEMAIS BANDAS QUANTO A BANDAS DE HEAVY, THRASH, DEATH, ETC QUE SEJAM FORMADOS POR CRISTÃOS OU TENHA LETRAS DE CONTEÚDO CRISTÃ.  QUAL A OPNIÃO DE VOCÊS QUANTO A ISSO?
IRON: O Rio é apenas ligeiramente menos segregativo que os outros estados, aqui também ocorre o boicote a bandas que toquem junto com cristãos ou seja white. Então, a minha opinião, e a opinião lírica da banda é o que o problema não jaz com as religiões em si, mas com a existência de psicopatas que rapidamente as cooptam para seus fins. Para mim o real problema são psicopatas e as patocracias que criam onde quer que vá a sua sede por poder e domínio. Todas as religiões são igualmente corrompidas e dementes nesse ponto do ciclo. A religião judaico-cristã apenas é a maior das pestes. A energia gasta tentando matar os integrantes da Antestor, que são inofensivos, poderia ser mais bem gasta tentando expulsar Renan Calheiros do país, ou removendo Marco Feliciano permanentemente da Câmara. Enquanto grupo, os headbangers se preocupam demais com questões inúteis e deixam passar questões que afetam a todos.
Entretanto, gosto de ressaltar que não tocaríamos em um evento White. Da mesma maneira que não tocaríamos em um evento puramente satanista, seria incoerente com nossa proposta.

OM - NESTES ANOS NO UNDERGROUND QUAIS SÃO AS LIÇÕES APRENDIDAS?
IRON: Não confiar em promessas vazias, ter paciência, e que o caminho de uma banda é árduo e sobrevive quem persevera na luta.

OM - QUAIS SÃO OS DESAFIOS PARA SE MANTER ATIVO NA CENA UNDERGROUND ATUAL?
IRON: Poucas são as bandas que tem senso de camaradagem. De ajudar outras bandas tentando encaixar shows, ajudando na divulgação, essas coisas. Tirando algumas exceções, é bem cada um por si.
Outro problema é a prensagem independente de CDs com qualidade. É caro, mas pouca gente quer pagar 20 reais por um cd. Os mesmos problemas de sempre...

OM - HÁ VARIAS QUESTÕES DA ATUALIDADE QUE DIVIDEM A OPINIÃO PÚBLICA E SEMPRE PERGUNTO AOS INTEGRANTES DE BANDA SOBRE A OPNIÃO E VISÃO RELACIONADOS A TAIS TEMAS.
FALE SOBRE A SUA OPINIÃO SOBRE:
- COPA DO MUNDO E OLIMPÍADAS NO BRASIL
IRON: Copa do Mundo e as Olimpíadas nada mais são do que a última versão de “pão e circo”.  Mantenha as ovelhas distraídas com diversão custeada por elas mesmas, roube-as descaradamente e elas nem perceberão

- CRACOLÂNDIA (GRANDES CENTROS - AV. BRASIL E CENTRO SÃO PAULO)
IRON: As cracolândias representam simbolicamente a decadência desta última civilização, seus últimos suspiros. Parte de sua população já são literalmente mortos que andam. E em alguns casos tentam literalmente devorar sua carne. Não há nada de engraçado nisso, é um sinal da mudança violenta e convulsiva pela qual a humanidade está passando.

- HOMOSSEXUALISMO E EMBATE DA BANCADA EVANGÉLICA COM A BANCADA QUE REPRESENTA ATIVISTAS GAYS EM BRASÍLIA
IRON: Os embates no senado, nada mais são do que distrações de temas mais importantes. Tais rinhas servem para não prestarmos atenção em assuntos como corrupção desenfreada, além de servirem como plataforma para a disseminação em larga escala de ideais patocráticos e idéias perversas de segregação. Esse tipo de luta da bancada evangélica é também uma chamada para a guerra que eles travam. Indivíduos com as mesmas patologias mentais estão respondendo ao chamado. Isto também é um sinal.

- DISPUTA GOVERNOS ESTADUAIS E GOVERNO FEDERAL SOBRE OS ROYALTES DO PETRÓLEO
IRON: Royalties são uma questão interessante que serve para demonstrar a mentalidade dos psicopatas nos cargos de poder. Em todo o momento, o único interesse são os próprios bolsos, e não o povo, fato que ficou evidente com o terrorismo que ocorreu no rio de janeiro, onde o governador suspendeu os pagamentos estaduais visto que não teria o direito aos royalties. Como se a economia do estado fosse pautada em uma possibilidade de receber royalties. Puro terrorismo contra outros psicopatas, para usar o povo como massa de manobra no combate. No fim, é a luta entre as elites psicóticas, os diferentes lados da patocracia que atualmente infecta todo o nosso planeta.

- A GALERA QUE QUISER ADQUIRIR MATERIAL OU CONHECER O TRABALHIO DA GUTTED SOULS – QUAIS SÃO OS CANAIS E MEIOS?
IRON: Para acompanhar nosso trabalho, é só nos seguir em www.facebook.com/guttedsouls, e nossos materiais estão tanto em www.reverbnation.com/guttedsouls, quanto em http://guttedsouls.bandcamp.com
Estamos bem espalhados na Web, mas estes são os principais canais pra entrar em contato, falar conosco, ouvir nossos sons e adquirir camisas. Lançaremos um web site em breve.

OM - PRÓXIMAS AGENDAS PARA 2013?
IRON: Para 2013 temos planejado um show muito legal com Uneathly, Lacerated and Carbonized e Frozen Aeon em 11/05, e um show com Vomepotro, Ayin e Forceps em 06/07, ambos os shows no estado do Rio de Janeiro. E em algum momento uma participação evento de pequeno porte já tradicional aqui do Rio de Janeiro, o Rotten to the Gore.

OM - PLANOS E PROJETOS DA BANDA PARA O FUTURO?
IRON: Estamos planejando uma minitour em São Paulo ainda esse ano, para o segundo semestre, assim como o lançamento do nosso primeiro Full-length, com título ainda a ser definido. No mais estamos em busca de shows para divulgar o EP recém-lançado!

OM - DEIXE UM RECADO PARA O PÚBLICO DO OVER METAL.
IRON: Curtir metal é uma dádiva, é fazer parte de um grupo que é mundial, uma irmandade. Mas existe muito além de curtir metal. Não seja mais um alienado. Procure conhecer o mundo a sua volta e não ser mais um saco de carne que apenas consome e desperdiça oxigênio. Comprem material das bandas, apóiem para que as boas bandas continuem por muitos anos, pois fazer metal sem apoio no Brasil é perto do impossível. E por fim, quem curtiu o trabalho da banda, muito obrigado a todos vocês que nos dão apoio e reconhecimento!





Obrigado Iron e Wellington pela atenção e informações concedidas a respeito da banda.
Nos mantenha atualizado sobre as novidades da banda para divulgação no Over Metal Zine.
Até a próxima.

Filipe Lima
OVER METAL ZINE NO FACEBOOK





UNMASKED BRAINS: REINALDO FALA SOBRE OS DESAFIOS DA BANDA, ATUAL MOMENTO E CENA UNDERGROUND CARIOCA!



Conheci o Unmasked Brains num show em Volta Redonda, após fazer contato com Reinaldo marcamos a entrevista e para nossa surpresa a banda voltará a Volta Redonda agora em Maio para realizar mais um show na cidade.
Esta entrevista é uma oportunidade para conhecer mais sobre a banda que é atuante e muito envolvida com o underground carioca.
Confira na íntegra esta entrevista realizada com Reinaldo.
Boa leitura!



OVER METAL (OM) - OLÁ REINALDO, OBRIGADO POR NOS ATENDER MESMO COM TODA ESSA CORRERIA DO MUNDO ATUAL.
REINALDO: Olá ao Over Metal e todos seus leitores!

OVER METAL (OM) - FALE UM POUCO DO SURGIMENTO DO UNMASKED BRAINS - APRESENTE ESSA HISTÓRIA PARA AQUELES QUE AINDA NÃO CONHECEM O TRABALHO DE VOCÊS?
REINALDO: A banda Unmasked Brains foi criada em 1993 pelos amigos Reinaldo, Élcio, Guga (LGC) e Daniel. Antes disso, nós quatro tocávamos em uma banda de rock/hardcore chamada Milícia Armada, formada em 1990 nos tempos de CEFET (escola técnica de segundo grau). 
Havia sete integrantes (três vocalistas), foi na época em que estávamos iniciando com os instrumentos. A sonoridade da banda foi ficando mais aproximada ao que a gente curtia (heavy metal de uma maneira geral), e com a saída dos vocalistas, nós firmamos como quarteto.
E 1993 foi a primeira apresentação como Unmasked Brains no saudoso GARAGE ART CULT. Ficamos na ativa até 1996. Foi justamente um ano em que todos estavam se dedicando às suas vidas profissionais, e não havia muito tempo disponível para manter a banda.
Resolvemos fazer uma pequena pausa (hehe), deixar tudo ficar mais tranqüilo. Voltamos em 2011, coincidindo justamente com o retorno do GARAGE. E com a mesma formação.

OM - NO RETORNO DA BANDA APENAS UMA ALTERAÇÃO NO LINE-UP, SABEMOS QUE É DIFÍCIL MANTER UMA FORMAÇÃO ATÉ MESMO COM A BANDA ATIVA - AO QUE SE DEVE ISSO?
REINALDO: Na verdade, como disse, no retorno a formação foi a mesma. Nunca havia mudado. E graças à vontade de todos que o retorno foi possível. Nós queríamos retomar essa atividade que nos dá muito prazer, independente de um resultado futuro. O combinado é apenas não interferir em compromissos pessoais profissionais ou familiares de cada um. Fizemos dois shows, e depois disso não foi possível mais para o Daniel (baixista) permanecer, por conta de falta de tempo. Daí entra o maestro Denner, fera, amigão de muitos anos de todos nós, e com uma vastíssima experiência, trazendo consigo uma consistência sonora absurda. Na mesma onda de todos! Pra ser sincero, é como se nunca tivesse havido mudança do line-up!
A questão de manter a mesma formação é simples: a amizade e respeito que um tem pelo outro. As coisas são muito bem resolvidas e explicadas, não há imposição unilateral. Não existe espaço para egocentrismo ou qualquer tipo de egoísmo. A gente não se reúne pra jogar um futebol, mas sim pra fazer um metal e botar pra foder!

 
OM - O QUE FOI INFLUÊNCIA NO COMEÇO E HOJE É INSPIRAÇÃO AO TRABALHO DO UNMASKED BRAINS?
REINALDO: No início as influências foram bandas de metal como Metallica, Megadeth, Slayer, Testament, Anthrax, Prong, Pantera.
Hoje posso dizer que a inspiração vem de tudo que nós gostamos de ouvir, seja metal ou não, desde que tenha a ver com a proposta musical da banda.

OM - É NOTÓRIO NA SONORIDADE QUE A UNMASKED BRAINS NÃO FICA PRESO A UM ESTILO, QUAL É A PROPOSTA MUSICAL DA BANDA?
REINALDO: Então. Não queremos nos restringir àquilo que nos influencia musicalmente. Não queremos copiar. Ninguém quer.
É natural que elementos musicais presentes em composições que gostamos sirvam como base para nossas próprias composições, mas nunca copiar. A formação musical de todos também influencia esse resultado. 
Denner é músico clássico da Orquestra do Teatro Municipal. Élcio teve como professores sempre bateristas de jazz e bossa nova, propositalmente para lhe dar outros elementos musicais. 
LGC é um monstro, tem uma criatividade musical incrível. 
São fatores que, somados, trazem originalidade na criação. Justamente por isso que adotamos (e criamos) como estilo o ALLMETAL. Seja por essa diversidade, seja pela essência que o nome traz: todos os estilos em um só, sem subsubsubdivisões (sic).


OM - O QUE A BANDA TEM A APRESENTAR AO PÚBLICO?
REINALDO:  Muita energia e temas que tragam identificação para nós e para quem está ouvindo. Letras com fatos cotidianos, reais, sem exageros. Queremos que o fã ouça as músicas, perceba as nuances, o arranjo, sinta a energia. E ao vivo a gente espera que todos pulem, e pulem muito!

OM - COMO A BANDA DESENVOLVE E CRIA SUAS MÚSICAS?
REINALDO: Não há uma linha de produção definida. Alguém pode aparecer com uma música pronta, e com ensaios ela ir se ajustando conforme idéias coletivas. Ou surgir apenas de um riff de guitarra ou baixo, ou mesmo um padrão rítmico. Na verdade, acho que nossas músicas estão sempre em evolução. Sempre alguém faz uma coisa nova dentro da música que agrada e acaba sendo incorporada. Tem uma característica nossa que ninguém ainda se deu conta, ou se deu, não comentou. Algo muito incomum nos tempos de hoje. Vejamos quem vai ser o primeiro a falar sobre isso ...

OM - CONTE-NOS UM POUCO MAIS DE DETALHES DA GRAVAÇÃO DESTA DEMO TURNING ON.
REINALDO: Essas músicas que constam na demo foram gravadas no período em que estávamos parados. Nós já havíamos gravado uma fita demo em 1994 (disponível para download em nosso site, um easter egg), e eu queria ouvir as músicas com uma qualidade melhor. Então escolhi quatro e seqüenciei a bateria de acordo com o que o Élcio havia gravado na época. Então eu gravei guitarra, voz e baixo, LGC gravou os solos e mais guitarra base, e finalizamos. Com o retorno, resolvemos gravar tudo com o Élcio tocando pra valer (está ficando foda), e aí decidimos disponibilizar essas músicas pré-gravadas no formato de web-demo, acrescentando uma gravação ao vivo que fizemos em um dos shows após o retorno.

OM - CITE CINCO ÁLBUNS (DE TANTOS HISTÓRICOS) QUE MARCARAM E INFLUENCIAM A UNMASKED BRAINS?
REINALDO: Difícil escolher apenas cinco, mas vamos a estes:
Megadeth - Rust in Peace;
Death - Symbolic;
Anthrax - Among the Living;
Metallica (de Kill' em all até And Justice for All);
Pantera - Vulgar Display of Power

OM - COMO VOCÊ ANALISA O ATUAL MOMENTO DA CENA UNDERGROUND DO RIO DE JANEIRO?
REINALDO: Tenho percebido um maior interesse com as atividades relativas ao underground. Seja produção de shows, sites e blogs de notícias, rádios com programação dedicada ao metal em geral. Tudo muito importante para fazer movimentar o underground. É um processo que envolve a todos. É muito importante a continuidade e a busca por maior qualidade,

OM - NESTES ANOS NO UNDERGROUND QUAIS SÃO AS LIÇÕES APRENDIDAS?
REINALDO: Saiba que vai passar por muitas dificuldades, tudo é feito com muito sacrifício, com pouco ou quase nenhum apoio. Mas faça assim mesmo! São momentos em que você nunca irá esquecer ou se arrepender de ter passado!

OM - QUAIS SÃO OS DESAFIOS PARA SE MANTER ATIVO NA CENA UNDERGROUND ATUAL?
REINALDO: São vários fatores que te fazem permanecer em atividade! O principal, acredito que seja você estar em conjunto com pessoas com as quais se tenha afinidade, vinculo de amizade e interesse comum.
Busque sempre se aprimorar e inovar. Inspiração sim, cópia jamais. Com a diversidade de ferramentas disponíveis, com um bom planejamento e visão, é muito viável que você exponha seu trabalho com qualidade e bom alcance. E procure ter uma visão macro do sistema. Não olhe apenas para o seu umbigo. Veja como anda a produção musical do seu meio, e assim integre-se ao movimento como um todo.
E tenha em mente que você vai apresentar um produto. Sua banda e sua música compõem o produto. Um conjunto áudio-visual que precisa chegar ao "cliente" de forma adequada, atrativa. É um investimento. Invista na sua banda! Não se pode esperar nem exigir que alguém faça algo por você. Essa obrigação é sua!
Outro grande desafio é o seguinte (lembrei de escrever isso depois de já ter respondido a entrevista inteira hehe): hoje em dia, é muito mais tranqüilo de se fazer uma gravação que apresente uma boa qualidade sonora. O que é muito bom, mas te traz uma grande responsabilidade: reproduzir aquilo que está na sua gravação em cima do palco! Então, treine e ensaie bastante, ou então, tente não exagerar nas edições digitais. Talvez fique mais simples, porém sincero!

OM - HÁ VARIAS QUESTÕES DA ATUALIDADE QUE DIVIDEM A OPINIÃO PÚBLICA E SEMPRE PERGUNTO AOS INTEGRANTES DE BANDA SOBRE A OPINIÃO E VISÃO RELACIONADOS A TAIS TEMAS.
NA LETRA CORRUPT TEM UMA CRÍTICA A MAIORIA DA POPULAÇÃO QUE QUER EXIGIR DOS POLÍTICOS HONESTIDADE SENDO QUE O BRASILEIRO EM SUA BOA PARTE BUSCA RESOLVER TUDO NO "JEITINHO BRASILEIRO" - ISSO DEMONSTRA QUE A BANDA ESCREVE ACOMPANHA FATOS DO COTIDIANO, COM ISSO COMPARTILHE SUA OPINIÃO SOBRE:
REINALDO: Bem, essa será uma opinião pessoal, minha. Pode ser que outros Unmaskeds compartilhem dela, mas é uma resposta pessoal. Vamos lá:
·         COPA DO MUNDO E OLIMPÍADAS NO BRASIL
Não sou contra. Claro que existem muitos outras prioridades, mas é possível que sejam feitas em conjunto com as atividades que ocorrerão em nosso país. O grande problema não é ter olimpíadas ou copa. O grande problema é que CERTAMENTE o planejamento será falho, orçamentos serão super valorizados, a manutenção posterior não será feita a contento. A realização de eventos desse porte não se restringem apenas aos eventos em si. Muita coisa está envolvida. Turismo, investimentos externos. Mas como disse, o problema é a seriedade com que as coisas são tratadas por aqui ...
·         CRACOLÂNDIA (GRANDES CENTROS - AV. BRASIL E CENTRO SÃO PAULO)
A questão das drogas chegou a um limite, no qual a sociedade, via seus representantes, tem que se repensar e posicionar. Vai muito, mas muito além a esse ativismo "rebelde sem causa" da liberação da maconha. Os malefícios da utilização de substâncias que te tiram da normalidade não podem ser desprezados. Fazem mal sim, inclusive o álcool. Então, há que se ter o debate. O traficante, por sua vez, não quer saber de conscientização. Ele atende a uma demanda, e deseja que ela aumente sempre! E o problema da adicção não importa somente aos que usam a droga, como dizem por aí: "ah, o corpo é meu, eu assumo os riscos do meu vício". NÃO! O sistema de saúde gasta com os problemas causados pelo uso de drogas. Então o problema é de todos.
·         HOMOSSEXUALISMO E EMBATE DA BANCADA EVANGÉLICA COM A BANCADA QUE REPRESENTA ATIVISTAS GAYS EM BRASÍLIA
Homossexualismo / bancada evangélica: Duas questões polêmicas. Minha opinião é que, uma vez eleito, o parlamentar deve atender aos anseios da sociedade como um todo. Claro, diminuir as diferenças, lutar pela diminuição à intolerância, mas sem usar da intolerância, sacou? Bancada evangélica? Oras, mas que DIABO é isso? Eles estão ali para representar os evangélicos, os umbandistas, os ateus, os católicos!
OVER METAL - BOM NA TEORIA NÃO DEVERIA EXISTIR BANCADA RELIGIOSA OU ATIVISTA GAY OU QUALQUER COISA ASSIM, MAS NA PRÁTICA SABEMOS QUE EXISTEM AS BANCADAS EM BRASÍLIA DA BOLA, EVANGÉLICA/CRISTÃ ENTRE OUTRAS, ENFIM ESSA É A REALIDADE, INFELIZMENTE ASSIM FUNCIONA UMA PARTE DO SISTEMA.

·         OUTRA QUESTÃO: DISPUTA DOS GOVERNOS ESTADUAIS COM O GOVERNO FEDERAL SOBRE OS ROYALTES DO PETRÓLEO
Royalties: Cumpra-se o contrato! Claro que todos lutarão pelos seus interesses pessoais, mas seria uma insensatez alterar todo um planejamento de orçamento durante um contrato em vigência! Mais uma vez, a questão pelo que lutam não é o interesse da sociedade. Sempre tem algo escuso por trás!


OM - REINALDO VOCÊ É FORMADO EM DIREITO E PERCEBO QUE NAS LETRAS ISSO ACABA TRANSPARECENDO.  QUAL A SUA OPINIÃO SOBRE A BRANDURA E FALHAS NO SISTEMA JUDICIÁRIO BRASILEIRO?
REINALDO: Li há um tempo uma declaração do Presidente do Supremo falando sobre a relação perniciosa entre juízes e advogados. Uma declaração forte, concisa, e VERDADEIRA! Não são todos, claro. Mas é uma realidade. 
Advogados renomados, que têm portas abertas nos gabinetes de magistrados. É uma vergonha. Isso sem falar nos concursos para magistrados, nos quais o que se mais vê é sobrenome em comum. Falhas existem em qualquer órgão ou setor em que o ser humano esteja presente.

OM - NAS APRESENTAÇÕES AO VIVO É COMUM LGC E SUA MASCARÁ - SEMPRE FOI ASSIM, QUANDO E PORQUE SURGIU ISSO?
REINALDO: Nessa retomada da banda sim. Ele quis, então que use! Não foi nada pré-programado. Acho que sou um dos maiores fãs do LGC. O cara é um monstro na guitarra, além de ter uma extrema criatividade e é também um ótimo produtor! Ele veio com essa idéia da máscara, a Sigried (esposa do baterista, outra grande colaboradora Unmasked) deu uma customizada e agora ele usa sempre. Queremos idealizar outra máscara pra ele. Que seja única, personalizada! Um dia isso sai do papel.

OM - A GALERA QUE QUISER ADQUIRIR MATERIAL DO UNMASKED BRAINS COMO PODEM ADQUIRIR E APOIAR O TRABALHO DA BANDA?
REINALDO: Estamos sempre disponibilizando material e novidades em nosso site, além de sempre nos comunicarmos com a galera via Facebook. Basta acessar um de nossos canais e entrar em contato!
OM - PRÓXIMAS AGENDAS PARA 2013?
REINALDO: Participamos do Piabetá Rock no início do mês, com a galera do Gangrena Gasosa, que são amigos há anos. Tem previsão para retorno a Volta Redonda, Rio Bonito, Nova Iguaçu e algumas coisas no circuito interestadual. Vamos aguardar!

OM - PLANOS E PROJETOS DA BANDA PARA O FUTURO?
REINALDO: Finalizar nosso CD já pensando em composições futuras (já existem algumas), produzir clipes e mais material do nosso canal do Youtube (um dos mais utilizados), e muita pressão pra galera!

OM - DEIXE UM RECADO FINAL PARA O PÚBLICO DO OVER METAL
REINALDO: Muito obrigado pelo espaço, é muito importante que a banda possa transmitir sua linha de pensamento para aqueles que curtem seu trabalho! Que o site cresça, dando oportunidade a outras bandas. Unmask You Brain, e PULA!!!


Obrigado Reinaldo e Unmasked Brains pela entrevista, nos vemos na próxima apresentação aqui em Volta Redonda-RJ.
Obrigado e até lá!

Filipe Lima
OVER METAL NO FACEBOOK







sábado, 20 de abril de 2013

SCATHA: MUITO MAIS QUE UMA BANDA FEMININA DE THRASH METAL, MAS GUERREIRAS QUE SABEM SEU VALOR


ELAS JÁ SÃO CONHECIDAS NA CENA CARIOCA E TEM SEU ESPAÇO, MAS ISSO NÃO BASTA, QUEREM MAIS, PORQUE SABEM QUE PODEM OFERECER MUITO MAIS DO QUE SER APENAS UMA BANDA DE THRASH METAL FORMADA POR MULHERES.
ISSO FICA EXPLÍCITO AO CONVERSAR COM AS INTEGRANTES DA BANDA E SABER AS REAIS INTENÇÕES E MOTIVAÇÕES, ALÉM DA LUTA E DEDICAÇÃO PELO METAL.
NESTA ENTREVISTA CINTIA VENTANIA FALA DA NOVA FORMAÇÃO, ATUAL MOMENTO DA BANDA E COMO PENSAM ESSAS GUERREIRAS DO METAL.
CONFIRA! BOA LEITURA!

OVER METAL (OM) - FALE UM POUCO DA HISTÓRIA E DO SURGIMENTO DO SCATHA - APRESENTE ESSA HISTÓRIA PARA AQUELES QUE AINDA NÃO CONHECEM O TRABALHO DA BANDA?
Cintia Ventania: Scatha nasceu em 2005 de um projeto entre Julia Pombo (Guitarra) e Cíntia Ventania (Baixo) de montar uma banda de metal feminina. Neste mesmo ano, entraram na banda Cynthia Tsai Yuen (bateria), Paula Leão (Guitarra) e Rebecca Schwab (Vocal). No início não tínhamos um estilo muito definido, tocávamos coisas bem distintas, mas com o entrosamento e gostos em comum, assumimos que Scatha seria "Metranca", e fomos moldando o estilo da banda de acordo com nossas composições próprias. Nossas primeiras composições fora "Breaking Proves", "Own War" e "No Mercy", e a banda tomou um caminho no Thrash Metal, que era a maior influência de todos os membros da banda. Em 2007 nossa até então vocalista, Rebecca Schwab saiu da banda e chamamos a Angélica Burns – vocalista com uma linha mais agressiva, o que nos proporcionou uma agressividade maior no som devido ao gutural. Neste mesmo ano finalizamos nossa demo “Keep Thrashing!”. Em 2008 a guitarrista Paula Leão também deixou a banda e seguimos desde então somente com Julia Pombo na Guitarra. Agora em 2013 finalmente conseguimos uma nova guitarrista, Renata Decnop para se juntar ao clã e assim gravarmos nosso debut.


OM - COMO SURGIU O NOME SCATHA E O QUAL O SIGNIFICADO/MOTIVO DA ESCOLHA DESSE NOME?
Cintia Ventania: Procurávamos por um nome que fosse de fácil pronúncia em diversas línguas, que tivesse um significado relacionado ao "conceito" da banda e fosse curto. Depois de muita pesquisa, escolhemos Scatha por ser um nome feminino de uma deusa celta que infringe o medo dos guerreiros em batalha. - Da mitologia celta. Em outras interpretações, ela era uma Guerreira da Escócia que treinou artes marciais ao Lendário Cú Chulainn nas artes de combate.
E achamos que representava bem a idéia de mulheres que vão à luta em meios que normalmente não se vê mulheres, como no metal.

OM - A BANDA É COMPOSTA SOMENTE POR MULHERES – ISSO É UMA PROPOSTA DEFINITIVA E CRUCIAL PARA A EXISTÊNCIA DA BANDA?
Cintia Ventania: A proposta da banda é ser feminina por diversos motivos, mas não que seja algo crucial para a existência da banda. No início mesmo, tínhamos um baterista homem, mas como conseguimos a Cynthia Tsai Yuen - que, diga-se de passagem, foi uma aquisição essencial para a existência da banda - acabou que preferimos manter a banda feminina.

OM - O QUE FOI INFLUÊNCIA NO COMEÇO E HOJE É INSPIRAÇÃO AO TRABALHO DA SCATHA?
Cintia Ventania: Bandas independentes Nacionais. Desde quando comecei a freqüentar o "underground", tenho minhas bandas independentes favoritas. A banda VULGAR do Rio de Janeiro foi uma influência e até hoje é inspiração, assim como as bandas que nos ajudaram no nosso início, como Imago Mortis. Outra banda que tenho muita afeição é a Claustrofobia de São Paulo, Korzus, assim como diversas outras da cena nacional.

OM - AO ESCREVER E TRABALHAR NOVAS MÚSICAS COMO SE DESENROLA ISSO NA BANDA? 
Cintia Ventania: Bem, a Scatha já passou por algumas mudanças na formação, mas o "núcleo" de criação até agora sempre foi eu (Cíntia Ventania) e Julia Pombo (Guitarra). Eu escrevo todas as letras e crio algumas linhas de voz e rascunhos de Riffs. A Julia fica com o trabalho pesado de lapidar riffs e criar baterias. Quando levamos ao estúdio, passamos um rascunho, e cada uma da banda trabalha em cima e adapta da melhor forma. Até o momento, é assim que trabalhamos as composições.

OM - O QUE A BANDA BUSCA TRANSMITIR ATRAVÉS DE SUAS MÚSICAS E LETRAS AO PÚBLICO?
Cintia Ventania: A Scatha trabalha muito com a administração da Raiva! (RS)
Eu escrevo sobre diversos temas, mas em geral são referentes ao nosso dia-a-dia, dificuldades que passamos na vida, sociedade, caos, estresses, decepções etc.
Nossas músicas são retratos da realidade em geral. E não somente retrato de uma realidade só, são diversos pontos de vistas.

OM - HÁ UM NOVO TRABALHO DE ESTUDIO SENDO PREPARADO?
Cintia Ventania: Sim! Finalmente estamos reunindo todos nossos trabalhos e energias para gravar um álbum. Infelizmente com mudanças na formação da banda e outros contratempos, não conseguimos gravar esse material antes.

OM - O QUE É MAIS DIFÍCIL PRA MANTER-SE ATIVO NA CENA UNDERGROUND?
Cintia Ventania: Ter verba para manter todo mundo motivado a fazer um bom trabalho. Todos sabem que a realidade brasileira não considera a música uma profissão, e quase todos os músicos tem que sobreviver lecionando ou tocando na noite, o que faz com que o trabalho da banda fique em segundo plano. Manter-se na cena não é apenas ter suas próprias músicas e marcar shows, tudo envolve muita comunicação com diversos tipos de produtores, veículos para divulgação do trabalho da banda, dentre vários outros percalços.

OM - O QUE É OSSO E ABORRECE A BANDA AO CHEGAR NUM EVENTO PRA TOCAR?
Cintia Ventania: Normalmente a falta de estrutura e consideração com a banda. Muitos produtores acham que fazem favor colocando sua banda para tocar. Mas por sorte, as bandas mais ativas no underground estão batendo o pé e exigindo um mínimo de respeito pelo trabalho, conseguindo ao menos ajuda nos gastos básicos - o que é até meio absurdo, por que nunca ficamos no zero a zero. Mas acredito que se a postura das bandas mudarem poderá ter uma melhor valorização do público quanto ao trabalho das bandas.

OM - EM OUTRA ENTREVISTA QUE LI DA BANDA VOCÊS DISSERAM QUE NÃO ESTAVAM REALIZANDO TANTOS SHOWS, POIS JÁ TINHAM TOCADO EM VÁRIOS LOCAIS DO RIO E JA HAVIA ESGOTADOS AS POSSIBILIDADES E OS NOVOS LOCAIS OS ORGANIZADORES NÃO ESTAVAM DISPOSTOS A DAR AJUDA DE CUSTO ENTRE OUTROS RECURSOS BÁSICOS PARA A MANUTENÇÃO DE UMA BANDA, COMO ESTÁ ISSO HOJE MUDOU ALGUMA COISA?
Cintia Ventania: Respondi brevemente na pergunta anterior, né? Mas é isso, enquanto as bandas autorais não valorizarem seu trabalho, nenhum produtor irá. O que mais irrita nesse meio é que as bandas covers sem nenhuma estrada conseguem muito mais dos produtores, pois "chamam público".
Acredito que isso é uma mudança que vem aos poucos, com a união das bandas autorais por uma valorização do trabalho original.

OM - VOCÊS ACHAM QUE A CENA UNDERGROUND CARIOCA ESTÁ SATURADA (MUITAS BANDAS POUCO ESPAÇO/SHOWS)? QUAL A OPNIÃO DE VOCÊS AO ATUAL MOMENTO DA CENA?
Cintia Ventania: Não... De forma alguma. Temos muitas bandas, novas e antigas com ótimos trabalhos. O que acontece é que algumas dessas bandas estão batendo o pé para tocar em eventos de qualidade, tentando ir mais longe e sair um pouco da "zona de conforto", mesmo que seja ir tocar em um município por show, tentando abranger o máximo de zonas diferentes que possuam público. Tocar sempre nos mesmos lugares não faz uma banda crescer. Tem que haver mais rotatividade, por que a maior parte dos eventos fica repetindo bandas, pois são elas que aceitam sempre as mesmas condições, não tentam dar vôos mais altos... E por isso temos a impressão que a cena está saturada. Mas existem vários locais milhões de bandas de qualidade e muitos maus produtores.

OM - PARALELO AO TRAMPO DA BANDA - FALE SOBRE O QUE CADA UMA FAZ?
Cintia Ventania: Nossa, pergunta difícil! Bem, tenho que começar por mim que fica mais fácil!
Eu sou baixista da Scatha e da Possessonica, sou fotógrafa e cinegrafista, trabalho como Designer Instrucional e sou estudante de Publicidade.
Julia Pombo é guitarrista da Scatha e Advogada e está fazendo pós em Direito Marítimo. Renata Decnop, nova guitarrista da Scatha é também guitarrista da banda Empurius, atleta de Velas da marinha e produtora Fonográfica - até aonde sei, é só tudo isso.
Cynthia Tsai Yuen é baterista da Scatha e Tevadom, é Engenheira. (Tá não sei ao certo - mas é algo relacionado à tecnologia).
Angélica Burns é vocalista da Scatha e Diva, estuda Jornalismo e é estagiária de conteúdo em uma empresa de Tecnologia e Inovação. Acho que isso é tudo!







OM - NA PREFERÊNCIA DA BANDA QUAIS SÃO OS MELHORES ÁLBUNS DO METAL MUNDIAL?
Cintia Ventania: Falando em Thrash Metal:
Vulgar Display of Power – Pantera
Black Album – Metallica
Another Lesson in Violence – Exodus
Rust In Peace – Megadeth
Souls of Black – Testament
Reign Blood/Decade of Agression – Slayer
Chaos A.D - Sepultura

OM - NESTES 8 ANOS NO UNDERGROUND QUAIS SÃO AS LIÇÕES APRENDIDAS?
Cintia Ventania: Saber se comunicar com diferentes públicos, valorizar seu trabalho, e se manter firme na estrada! Por que vão ter muitos querendo te derrubar.

OM - PLANOS E PROJETOS DA BANDA PARA O FUTURO?
Cintia Ventania: Terminar as gravações, finalizar o vídeo clipe e mais para frente fazer uma turnê pela América do Norte.

OM - A GALERA QUE QUISER ADQUIRIR MATERIAL DO SCATHA COMO PODEM ADQUIRIR E APOIAR O TRABALHO DA BANDA?
Cintia Ventania: Basta entrar em contato conosco através do e-mail bandascatha@gmail.com ou por nossa página no facebook: www.facebook.com/ScathaBand
Estamos sempre disponibilizando material novo e divulgando novas gigs!
Para os interessados, possuímos camisas, demos e futuramente patches para vender!
Confiram o nosso último vídeo:


OM - CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECADO PARA O PÚBLICO DA OVER METAL!
Cintia Ventania: Muito obrigada pela oportunidade dessa profunda entrevista!
Espero que todos que tiveram a disposição de ler essa entrevista se identifiquem e compartilhem suas idéias sobre a valorização do mercado musical nacional. Parabéns pela iniciativa do Over Metal Zine por dar oportunidade às novas bandas de mostrar e contar um pouco de suas experiências.
Estamos aí na batalha!
Keep Thrashing!

OBRIGADO CINTIA E SCATHA.
PARABÉNS PELO TRABALHO DA BANDA.
NOS MANTENHA INFORMADO SOBRE OS NOVOS TRABALHOS DA BANDA.

ATÉ A PRÓXIMA.
FILIPE LIMA
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